29 de março de 2010
posted by teorias at 10:08
O que queres ser quando fores grande? É aquele tipo de pergunta que toda a gente já teve de responder vezes sem conta... mas hoje, quando olho para trás (ou para o lado) reparo que por cá, grande parte dos míudos responde que quer ser médico! Se pensar no dinheiro e no prestígio que, por entre nós, tem a profissão, rapidamente percebemos o porquê da existência de milhares de "vocacionados" que não se vêem a fazer outra coisa na vida que não seja envergar uma bata branca e ajudar os outros de forma consciente (e ajudar a sua carteira de forma incosciente... ou mesmo consciente!). Não posso deixar de pensar que não será pelas boas intenções de ajuda ao próximo que estes jovens "senhores" querem ser médicos, tanto mais que depois poucos são aqueles que fazem do conhecimento que têm uma ferramenta de ajuda efectiva sem contrapartida monetária (avultada!). Se as pessoas realmente quiserem ajudar os outros só o conseguem fazer se forem médicos? Ao passar na rua... ao falar com pessoas... percebo que a muitas delas lhes dói muito mais a alma... e não haverá médico, medicamento ou penso que os ajude. Será que não se pode ajudar os outros se se for Assistente Social ou Professor? Pode... é claro que pode, mas assim não existe bata branca nem bolsos que se podem encher! A peferência pela profissão de médico dos jovens de hoje também é um sinal dos tempos de uma sociedade individualista e mais ainda invidividualizada em que o que realmente interessa é olharmos para o nosso umbigo ainda que seja a pretexto de tratarmos do umbigo dos outros.
Por outro lado, e de forma irremediável, a profissão de médico é uma profissão condenada ao insucesso... se um médico tem como pretenção manter vivas as pessoas que trata, mais tarde ou mais cedo, falhará na sua missão e as pessoas morrerão... mas nada disto importa se a bata estiver de bolsos cheios. O sucesso da profissão parece medir-se pelo dinheiro que gera e não pelos resultados inerentes aos objectivos a que se propõe.
 
19 de fevereiro de 2010
posted by teorias at 12:16
Às vezes sentimos uma necessidade enorme de nada dizer… um profundo revirar para dentro numa reflexão ambivalente entre aquele que se é e aquele que se quer ser. Às vezes o silêncio é a única forma de comunicar… às vezes os outros têm a capacidade de nos calar e de nos fazer sentir que é o silêncio que melhor transmite o que queremos dizer… que toda e qualquer palavra que acrescentemos apenas servirá para distorcer a ideia que pretendemos demonstrar... e eu tive alguém que me ajudou a ficar todo este tempo em silêncio e a quem, sem grande sobressalto nem ruído... dedico esta teoria!
Este blog não esteve parado durante todo este tempo… este blog esteve em silêncio… e em silêncio foi capaz de transmitir muita coisa para quem foi capaz de a perceber. Hoje tudo é tão diferente depois da metamorfose pela qual passou a minha vida. Estou rodeado de pessoas novas, tenho novas funções no trabalho, novas habilitações, novas ambições, novos projectos, novos desafios, mas velhas certezas de que não são as palavras que mostram quem nós somos, mas sim os gestos… que tantas vezes fazemos em silêncio
 
12 de julho de 2009
posted by teorias at 02:24
O peso, o tempo, o dinheiro... o nosso trabalho... a nossa vida... tentamos controlar tudo.... sentir a sensação que tudo o que acontece à nossa volta depende, de uma maneira oude outra, da nossa vontade. Sentir que temos uma palavra a dizer nos acontecimentos que nos circundam parece ser algo que todos ambicionamos... e lidamos tão mal com o a falta de controlo... com a sensação que os acontecimentos se sucedem, uns atrás dos outros, sem que nada possamos fazer. As pessoas não sabem lidar com a falta de controlo... desde logo porque ninguém as ensinou... e por outro porque desde muito novas que são endoutrinadas para controlar... e essa (falsa) sensação de que se controla parece apaziguar a angustia existêncial... a angústia de estarmos vivos sem sabermos muito bem porquê e para quê... mas está tudo sobre controle... e se está sobre controle não precisamos temer... e se não está sobre controle... arranje-se uma maneira para pensarmos que está... porque as coisas sem controlo nao podem estar...
As coisas só existem se pensarmos que elas existem mesmo... e nós pensamos que controlamos... até termos a prova do contrário!
Ontem perdi o controlo... não sei bem porquê mas perdi... se é que alguma vez o tive na verdade...
 
27 de abril de 2009
posted by teorias at 22:10
Estive 17 anos a estudar... depois estive mais 4 anos a trabalhar e a fazer uma especialização... agora voltei a estudar outra vez... voltei a sentar-me nos mesmo bancos que me acolheram no passado (mentira... estes são bem mais novos e confortáveis)... na mesmas salas por onde havia passado (mentira... alguém, em boa hora, se lembrou de contruir um novo e moderno edifício para a Faculdade). Confesso... sou um estudioso que quer sempre saber mais e mais coisas... e mais algumas ainda! Mas de que me serve a interiorização de tanta teoria? De que me serve saber os diferentes pontos de vista que cientistas, uns atrás de outros, produziram ao longo de séculos? Em que é que isso me facilita a minha vida no meu dia-a-dia? Em muito pouco, confesso (ando a confessar muito hoje)... Normalmente não me serve para resolver a maioria dos problemas com os quais me confronto... resta-me a consolação de saber o porquê de não os resolver. É sempre bom termos uma resposta para nós mesmos... podermos dizer:"não consigo ajudar... mas sei porque é que o problema existe... e porque é que ele não se resolve"... É uma consolação algo minimista (isto para não lhe chamar ridícula ou estúpida), uma vez que saber porque me pagam mal não me ajuda a pagar as contas que tenho no final do mês... Afinal de contas as teorias parecem servir de pouco... a não ser para uma exercitação mental daqueles que, na prática, não têm que resolver problemas... e se não têm que resolver problemas podem inventar as teorias que quiserem. Confesso (lá estou eu a confessar) que me limito a divertir na invenção de teorias... acreditando apenas nas palavras sábias de Kurt Lewin... de que não há nada mais prático do que uma boa teoria...
PS. Esta teoria é dedicada a alguém que me tem feito sorrir nos últimos meses
 
16 de março de 2009
posted by teorias at 22:30
O meu ortopedista disse-me que a minha coluna entrou em degeneração progressiva depois dos 20 anos... mas diz que isso é normal e que acontece com todos (esta parte em nada me serviu de consolação)! Uma das minhas qualidades a jogar futsal era a velocidade... mas hoje aos 30, os mais novos não me dão hipóteses e é ver-me a olhar para eles a passar por mim! Sinto as minhas capacidades a desacelararem... será que estou a ficar velho? Será esta desacelaração que sinto aquilo a que, carinhosamente chamamos envelhecer? Às vezes não sei bem... mas até faz sentido... o meu salário desacelarou bastante e tem desacelarado mais quantos mais anos tenho eu de trabalho... o país desacelarou... ao ponto que da economia ter parado e começado a andar para trás... é o que oiço dizer! O meu blog também está a desacelarar... são cada vez menos as capacidades que tenho de teorizar por escrito tudo aquilo que sinto e penso. Como em quase tudo na vida há que saber dar a vez a outros... saber quando pendurar as chuteiras... saber que dasacelarar pode ser uma das formas de perceber melhor o que nos rodeia... vêmos melhor se reduzirmos a velocidade. A todos aqueles que teimosamente ainda por aqui passam... o meu muito obrigado... muito desacelarado! Esta teoria só foi possível devido a um estímulo vindo de Inglaterra... a quem mo mandou, dedico eu esta teoria;)
 
23 de fevereiro de 2009
posted by teorias at 23:04
A vida são dois dias e o Carnaval, dizem, são três. Hoje para mim foi dia de trabalho. Passamos uma grave crise económica (para alguns, claro está), dizem que não há dinheiro (não me lembro de ouvir dizer que o destruiram... por isso deve haver o mesmo dinheiro que existia antes da crise... mas agora concentrado na mão de cada vez menos)... que é necessário despedir pessoas... que muitas ficarão sem trabalho... pelo menos é o que dizem... mas hoje quando fui para o trabalho... quase não via pessoas nas ruas... foram muitos os que aproveitaram para prolongar o fim-de-semana e fizeram ponte. Só estranho o facto de em Portugal o Carnaval nem sequer ser feriado (na realidade apenas existe tolerância de ponto)... e se não é, como se explica não se trabalhar nesse dia e ainda nem trabalhar no dia anterior (isto para não falar daqueles que nem sequer no dia seguinte trabalham). É bom podermos ter situações de descontracção onde podemos descarregar o stress acumulado no dia-a-dia... mas desta forma? Isto para não falar que tentamos, por este pequeno país fora imitr os nossos irmãos brasileiros num espetáculo carnavalesco ao qual nem sequer nos conseguimos aproximar (coitadas das meninas desnudadas no nosso frio e invernoso Fevereiro)... por outro lado esquecemos todas as nossas tradições de Carnaval... as quais recusamos como quem delas se envergonha.
Olhando, hoje em dia, para o nosso Carnaval, e divertimento à parte, fico sem saber bem se se trata de um Carnaval... ou de uma palhaçada... tenho as minha dúvidas!
 
29 de janeiro de 2009
posted by teorias at 16:39
A gripe não é um virus como se diz por aí... se fosse só conseguiria ser um virus informático que uns faziam questão de enviar a outros só para lhes causar dano no computador! A gripe é uma forma de retaliação que o nosso próprio corpo arranja contra nós mesmos quando abusamos dele muito para além daquilo que é humanamente aceitável. Trabalhar 8 a9 horas por dia... receber formação à noite... fazer voluntariados aos fins-de-semana... voltar aos bancos da Faculdade para fazer mestrado pensando já no doutoramento... ter seminários um dia por semana ao fim da tarde... ter palestras todo o sábado de manhã... parecem-me razões mais do que suficientes para que o meu corpo dê de si e se tenha "gripado". E não me venham com essa de que é um virus... é que se fosse, a gripe tinha passado com os antibióticos, anti-inflamatórios e anti-histamínicos que tenho andado a tomar nos últimos 10 dias... mas não... apenas começou a melhorar agora... que faltei ao trabalho, faltei aos seminários, terminei a formação e me meti na cama... o corpo descansa e teve aquilo que há muito me pedia e eu lhe negava consecutivamente. Tal como Confuncio disse há milhares de anos atrás... e é pena que eu só tenha aprendido agora quando já conhecia o seu pensamento faz tempo... não se compreende que os homens percam a sua saúde para ganhar mais e mais dinheiro, se depois perdem todo o dinheiro a tentar recuperar a saúde que perderam... duas idas ao médico, uma radiogradia toraxica, três idas à farmácia, sete caixas de medicamentos e 3 dias de cama depois... estou a melhorar!