28 de novembro de 2005
posted by teorias at 09:07

A TMN adoptou a assinatura “a vida como ela é” para a sua nova campanha publicitária. Mudou de imagem e adoptou-se a uma nova realidade do mercado. Mas mais do que as estratégias de marketing interessou-me o conceito de mostrar “a vida como ela é”... e a vida são pessoas vulgares, sem as qualidades físicas da Angelina Jolie, a fazerem coisas simples... a jogarem basquete... irem às compras... ou fazerem uma refeição. Coisas tão simples e reais que poderiam estar inseridas no quotidiano de qualquer um de nós. Claro que esta é uma nova forma de fazer publicidade (bem arriscada diria) em que se privilegia o real em vez do imaginário, o fantasioso ou utópico! Quem não acha que se comprar o perfume Polo Black ficará mais atraente? No fundo, lá no inconsciente, achamos que podemos ter o mesmo poder que o protagonista da publicidade e respirar confiança, transpirar beleza e arrebatar mulheres bonitas se tivermos a chance de comprar o dito perfume! Como se a publicidade nos mostrasse um produto com poderes mágicos capaz de mudar a nossa vida... Os iogurtes da Adagio “fazem” de nós as pessoas mais esbeltas do planeta (quando vou ao supermercado só me apetece comprar destes), a Wilkinson 4 põe as mulheres a fazerem festinhas na nossa face e a escolher-nos em detrimento de todos os outros homens, só para dar alguns exemplos. Diria que se trata de escolher entre a fantasia e a realidade e normalmente as empresas escolhem a fantasia, fomentam-na em nós e depois vendem-no-la... mas quando chegamos a casa com o produto constactamos que realmente é fantasia... é irreal... e o nosso sonho mais profundo era da que essa fantasia podesse transformar-se em realidade... mas isso é utópico e, como tal, nunca acontece! A TMN optou por não nos vender um sonho... vende-nos “a vida como ela é”... real... simples... pacata! Feita de pequenas coisas reais que, por isso, têm muito mais valor do que as extravagâncias delirantes da publicidade utópica! É uma vida em que as pessoas não se despedem com olhares flamejantes, nem com suaves movimentos dos corpos esculturais... mas antes com um quotidiano “até já”.
 
22 de novembro de 2005
posted by teorias at 09:01
Há coisas que nunca mudam... outras mudam mesmo! Nem sempre sabemos distinguir ou prever o que se mantém do que se altera... várias vezes pensamos que uma situação, um momento, um sentimento podem ser eternos... e eles duram muito pouco... outras há em que achamos que o que sentimos, vivemos ou organizamos é transitório... e tudo se mantém até ao fim da nossa vida! A mudança não é fácil... sobretudo quando é forçada ou não é expectável. Construímos projectos... sonhos... e pensamos que eles se manterão... que nos acompanharão a vida inteira! Mas muitos deles desviam a sua trajectória, num movimento sublime que se afasta de nós! Aí só nos resta vê-los ficar cada vez mais longe e distantes... tão distantes que deixamos de os ver... mas mesmo longe, alguns, não nos saem do pensamento. Talvez porque quando sonhamos (também se aplica às situações em que o fazemos acordados) perdemos a percepção do possível... num movimento giratório em que nós somos o centro... e tudo gira à nossa volta de uma forma intensa e desmesuradamente satisfatória. Esse é o nosso mundo... construído e ajustado não para obedecer às leis da física, mas às leis da nossa felicidade... o nosso mundo de sonho! É tão bom... que é bom de mais para ser verdade! Assim, por qualquer razão, acordamos ou somos acordados... e tudo muda por completo... e aí ficamos sem saber bem o que fazer! Num repentino embaraço olhamo-nos por dentro e perguntamos a nós mesmos: mu(n)do de sonho? Eu também já sonhei... sonhei um sonho... mas ele agora deixou-me!
 
16 de novembro de 2005
posted by teorias at 12:52

Esta teoria continua a intrigar-me profundamente... não queria que assim fosse, acreditem... já pensei em abandoná-la por pensar que não mais perceberei o género feminino... mas a curiosidade e a vontade de perceber entranham-se nas mais recônditas paragens do meu pensamento... e como diz o velho ditado: “ se não os vences, junta-te a eles”. Por isso aqui fica mais uma tentativa teórica de explicação da escolha sistemática do sapo pelas mulheres. À primeira vista poderia tratar-se de um problema de miopia... mas depois de consultar uns bons livros de oftalmologia verifiquei que a incidência é bem menor nas mulheres do que aquela que prevalece na escolha quase doutrinária pelo sapo. Numa segunda análise poderíamos supor que se trata de um entendimento racional das mulheres ao acharem que é impossível terem já encontrado o seu príncipe perfeito... quando a esmola é grande, a mulher desconfia... e todos nós (homens) sabemos (e já sentimos) o quanto elas são desconfiadas! Mas não me parece que seja por aí... Assim, resta-me considerar a hipótese que não é o príncipe encantado aquilo que elas procuram... sim, sei que esta posição é polémica e que as mulheres não concordam com ela... mas deixem-me fundamentar. Se fosse realmente o príncipe, elas conheceriam bem as suas características e não teriam dificuldades em identificá-lo... mas têm! Se fosse mesmo o príncipe elas, depois de o encontrarem, não o trocariam por nada... mas trocam! Se fosse o príncipe o principal objectivo das mulheres elas comportar-se-iam como princesas... mas não... na maior parte das vezes comportam-se como bruxas e, nesse caso, o sapo assenta-lhes muito bem...
 
7 de novembro de 2005
posted by teorias at 14:05
Uma conhecida música dos Xutos e Pontapés diz que “a vida é sempre a perder”! Na verdade nunca concordei com a letra... achava que na vida também se ganha muita coisa (e continuo a achar)... mas tantos anos volvidos desde que ouvi a referida música pela primeira vez... acho que eles têm toda a razão!!! Perder é algo bem mais lato do que aquilo que realmente concebemos quando pensamos na palavra “perda”. Na verdade perdemos todos os dias... e isto não nos impede de, em simultâneo, ganharmos outras coisas que não ganharíamos nunca se não tivermos perdido... Viorst disse à duas décadas atrás que perdemos “partindo e vendo os outros partir, quando mudamos e quando nos deixamos ficar. As nossas perdas incluem não apenas as nossas separações e partidas para longe daqueles de quem gostamos, mas as nossas... perdas românticas, expectativas impossíveis, ilusões de liberdade e poder, ilusões de segurança (...)”. Por isso cada vez que fazemos uma escolha estamos a perder a oportunidade de termos optado por outras possibilidades. Mesmo quando decidimos não fazer nada estamos a perder a oportunidade de podermos fazer alguma coisa... Claro está que muitas vezes perdemos sem termos a capacidade de interferir, em nada, nesse processo, mas isso torna-o mais fácil de superar? Não me parece! Mas também quem nos diz a nós que se tivéssemos a possibilidade de interferir teríamos impedido a perda? Quem nos diz que não perderíamos mais tarde e em dobro? Pois é... eles têm razão... “a vida é sempre a perder”... aceitemos os factos! Mas também pode ser sempre a ganhar... aceitemos o desafio (como outros no passado, também aceito este).
 
4 de novembro de 2005
posted by teorias at 09:03

Na nossa vida fazemos montes de asneiras, mas raramente gostamos de as assumir. Preferimos esconder os nossos erros como quem barre para debaixo do tapete... E se nos perguntarem o que está debaixo do tapete até somos capazes de lá vislumbrar elefantes... Mas não vemos nenhum do lixo que para lá varremos! O mais engraçado é que acreditamos cegamente na existência dos elefantes que lá se escondem e não mais somos capazes de ver a realidade como ela é... não passa de um tapete! Mas em cada fio do tapete vimos trombas... vimos presas de marfim... Deixamo-nos iludir com a ideia de podermos ter uma savana lá em casa... talvez como forma de fugirmos à monotonia dos dias... ou então na esperança de que esse mundo nos possa reservar mais, melhor e diferente daquilo que temos! De um dia para o outro reaprendemos (ou perdemos a capacidade) a olhar paras as coisas que rodeiam a nossa vida e de perceber o seu valor... o que antes era uma boa televisão hoje não passa de um aparelho obsoleto... o que antes era um bom carro, hoje não passa de um monte de sucata... o que antes era óptimo hoje nem sequer é razoável. E então levantamos o tapete e vemos os elefantes... e eles são tão engraçados, tão grandes e tão fortes! Deixamo-nos levar e vivemos essa mentira inteira e internamente assumida e largamente partilhada connosco próprios. Um dia, mais tarde ou mais cedo, acabamos por bater bem forte com a cabeça no chão... e aí reparamos que apenas não passa de um velho tapete e da sujidade que em tempos para lá varremos. A desilusão é tal que temos uma grande tendência a ficar de trombas... Teremos nós a capacidade de assumir nessa altura todo o tempo perdido e todo o investimento feito nuns belos elefantes imaginários?... Pelo menos alguns... espero que sim! Os que quiserem acreditar nos elefantes… eu respeito!
 
2 de novembro de 2005
posted by teorias at 09:00

Quando era mais miúdo e andava na escola sempre tive a noção de que quem fazia perguntas não tinha percebido nada do assunto. Assim se um colega interrogava o professor sobre a matéria que este se encontrava a expor era sinal de que não tinha percebido a explicação. Todos nós temos enraizada esta noção. Em situações em que os nossos familiares ou amigos não sabem, por exemplo, o caminho para chegar a qualquer lugar ou onde comprar determinado produto dizemos-lhes em uníssono “se não sabes pergunta!”. A lógica é a de que quem pergunta não sabe, quem pergunta ignora o conhecimento. Mas nem sempre é assim. Grande parte das vezes, para se fazer uma pergunta, é necessário ter-se percebido muito... Conseguir formular uma questão implica utilizar, articular e interligar conhecimentos sobre o assunto que se questiona e não a ausência de conhecimento... A ausência de conhecimentos leva-nos a não conseguir fazer qualquer uma destas coisas e, como tal, ficamos calados, pois não sabemos perguntar. Ao contrário do que muitos pensam, quando não perguntamos, em vez de demonstrar que percebemos tudo podemos estar a dar um sinal claro de que não percebemos nada...