27 de abril de 2006
posted by teorias at 09:30
Vivemos rodeados deles... são momentos em que somos forçados a fazer escolhas que podem mudar por completo a nossa vida. Nessas situações quase que nos apetece apelar aos astrólogos ou recorrer aos oráculos antes de tomar qualquer decisão. As decisões aparecem-nos rodeadas de uma carga emocionalmente acentuada e desgastante em que qualquer erro pode ser fatídico. Não digo nada que não tenha sido já constatado pelo reconhecido sociólogo britânico Anthony Giddens. Todavia gostava apenas de relativizar estes momentos na medida em que não precisam ser identificados antecipadamente como sendo decisivos para terem a capacidade de o serem. Se se estiver a pensar ingressar num curso superior, este momento é capaz de ser percepcionado dessa maneira. Se se estiver a pensar casar... a noção de risco e a vontade de consultar os oráculos pode ser ainda maior. Mas que dizer dos momentos completamente simples, dos quais não se espera nada... nada mesmo... e eles demonstram ser completamente decisivos. Esta semana tive a oportunidade de ver um filme... nele, um homem viveu uma arrebatadora paixão... encontrou uma mulher maravilhosa que o preenchia como nenhuma outra o tinha conseguido anteriormente. Contudo (como quase sempre), a paixão deixou de ser correspondida e o fim da relação inevitável... todavia, não o sentimento! Sofrimento quanto baste, num período bastante alongado, com uma reorganização difícil e momentos nada fáceis! Num dia de aniversário de um amigo comum, mais de um ano depois, reencontraram-se... a interacção entre ambos fez-lhe notar que afinal aquela pessoa, fonte de tanto sofrimento, já não era a mesma que o fez sonhar no passado... já não fazia que os seus olhos cintilassem... no fundo tornou-se incapaz de reconhecer na pessoa actual aquela que amou um dia e que perdeu! E um simples jantar, nunca antes percepcionado como decisivo, teve o poder de o ser... de ser capaz de lhe devolver um destino que, fatidicamente, tinha ficado perdido. Perdemos tanto tempo e implicámo-nos nos momentos que antecipamos como decisivos que depois, os que têm maior capacidade de decisão, podem muito bem ser aqueles que nunca nós ousamos pensar que tivessem a capacidade de o serem. Não controlamos tudo na nossa vida... ela e o destino, por vezes, também decidem por nós... decisivo pode muito bem ser permanecer vivo...
 
10 de abril de 2006
posted by teorias at 08:46

Tenho ouvido ultimamente, com demasiada frequência, que a felicidade é o objectivo... a meta... a finalidade e, quiçá, o propósito da vida humana. Pelo menos é maioritariamente aceite que assim é! Na verdade não conheci ninguém, nesta minha existência com duração... significativa (pelo menos para mim) que me tenha dito que o propósito não é este e que é outro qualquer. Mas por ser aceite por quase todos, não quer dizer que seja verdade. Já Popper dizia que “300 gansos brancos não provam que todos os gansos são brancos. Mas basta um ganso preto para provar que os gansos não são todos brancos”. E, realmente eu ouso discordar... por uma razão muito simples: a afirmação de que o objectivo da vida de cada um é alcançar a felicidade não tem espessura psicológica nem consistência social. A Felicidade não é um traço estável, que uma vez atingido não mais desaparece, mas antes um estado, que pode ser bem fugaz e momentâneo. Deste modo, não podemos dizer que somos felizes, mas antes que estamos felizes. Se apenas temos momentos felizes, isso quer dizer que existe todo um espaço que pode ser preenchido por momentos infelizes! Nesse caso, sou levado a concluir que nunca existiu nenhum Homem capaz de atingir um estado em que a felicidade fosse permanente. E mesmo que o tivesse conseguido, como saberia ele que aquilo era felicidade? Como saberia ele que não poderia ser mais feliz do que aquilo? A felicidade só existe por comparação. Hoje podemos estar felizes porque ontem não nos sentíamos bem... estávamos tristes. E só nos definimos como estando tristes porque sabemos o que é estar mais feliz! Se então a felicidade permanente não existe, e muito menos faz sentido, porque continuamos a procurá-la? Não sei! Apenas sei que me sinto feliz por ter momentos tristes que me mostram que outros são melhores do que esses. Não renego que entristeço... que sofro com isso... mas o objectivo da minha vida é aprender a lidar com esses momentos (e não atingir a felicidade... de forma gratuita), aprender a superá-los, aprender a espremer deles o sumo que me faz crescer. E embora todo este processo não seja nada fácil... de certa forma, aprecio-o! Aqueles que continuam a procurar incessantemente a felicidade são aqueles que, renegando o sofrimento, mais o abraçam... que procurando ser felizes menos vezes o conseguem estar!