10 de abril de 2006
posted by teorias at 08:46

Tenho ouvido ultimamente, com demasiada frequência, que a felicidade é o objectivo... a meta... a finalidade e, quiçá, o propósito da vida humana. Pelo menos é maioritariamente aceite que assim é! Na verdade não conheci ninguém, nesta minha existência com duração... significativa (pelo menos para mim) que me tenha dito que o propósito não é este e que é outro qualquer. Mas por ser aceite por quase todos, não quer dizer que seja verdade. Já Popper dizia que “300 gansos brancos não provam que todos os gansos são brancos. Mas basta um ganso preto para provar que os gansos não são todos brancos”. E, realmente eu ouso discordar... por uma razão muito simples: a afirmação de que o objectivo da vida de cada um é alcançar a felicidade não tem espessura psicológica nem consistência social. A Felicidade não é um traço estável, que uma vez atingido não mais desaparece, mas antes um estado, que pode ser bem fugaz e momentâneo. Deste modo, não podemos dizer que somos felizes, mas antes que estamos felizes. Se apenas temos momentos felizes, isso quer dizer que existe todo um espaço que pode ser preenchido por momentos infelizes! Nesse caso, sou levado a concluir que nunca existiu nenhum Homem capaz de atingir um estado em que a felicidade fosse permanente. E mesmo que o tivesse conseguido, como saberia ele que aquilo era felicidade? Como saberia ele que não poderia ser mais feliz do que aquilo? A felicidade só existe por comparação. Hoje podemos estar felizes porque ontem não nos sentíamos bem... estávamos tristes. E só nos definimos como estando tristes porque sabemos o que é estar mais feliz! Se então a felicidade permanente não existe, e muito menos faz sentido, porque continuamos a procurá-la? Não sei! Apenas sei que me sinto feliz por ter momentos tristes que me mostram que outros são melhores do que esses. Não renego que entristeço... que sofro com isso... mas o objectivo da minha vida é aprender a lidar com esses momentos (e não atingir a felicidade... de forma gratuita), aprender a superá-los, aprender a espremer deles o sumo que me faz crescer. E embora todo este processo não seja nada fácil... de certa forma, aprecio-o! Aqueles que continuam a procurar incessantemente a felicidade são aqueles que, renegando o sofrimento, mais o abraçam... que procurando ser felizes menos vezes o conseguem estar!
 



5 Comments:


At 11 abril, 2006 13:49, Blogger Elektrik_Girl

Esta temática da felicidade é uma daquelas em que concordo absolutamente contigo. Li o livro de Will Ferguson com o mesmo nome, e adorei-o, aliás é um dos meus livros preferidos, e vou emprestá-lo com um certa "mesquinhez" a uma amiga minha =) (não no mau sentido mas custa emprestar coisas que adoramos, não é?)
A felicidade realmente é um estado transitório, e como tu o dizes tem que o ser para o apreciarmos verdadeiramente, caso contrário a felicidade converter-se-ia em tédio.
Sou tal como tu, uma pessoa dada a melancolias, mas quando me sinto feliz, sinto-me mesmo nas nuvens.
As pessoas que apregoam felicidade e que "amam e respiram alegria" ou me parecem demasiado tontas ou demasiado hipócritas, mas é apenas a minha visão e nada de novo acrescento ao que tu disseste =) Apenas partilho os mesmos pensamentos! Continua com as tuas teorias!

 

At 11 abril, 2006 13:50, Blogger Elektrik_Girl

Esta temática da felicidade é uma daquelas em que concordo absolutamente contigo. Li o livro de Will Ferguson com o mesmo nome, e adorei-o, aliás é um dos meus livros preferidos, e vou emprestá-lo com um certa "mesquinhez" a uma amiga minha =) (não no mau sentido mas custa emprestar coisas que adoramos, não é?)
A felicidade realmente é um estado transitório, e como tu o dizes tem que o ser para o apreciarmos verdadeiramente, caso contrário a felicidade converter-se-ia em tédio.
Sou tal como tu, uma pessoa dada a melancolias, mas quando me sinto feliz, sinto-me mesmo nas nuvens.
As pessoas que apregoam felicidade e que "amam e respiram alegria" ou me parecem demasiado tontas ou demasiado hipócritas, mas é apenas a minha visão e nada de novo acrescento ao que tu disseste =) Apenas partilho os mesmos pensamentos! Continua com as tuas teorias!

 

At 18 abril, 2006 13:05, Blogger teorias

Querida Elektrik... relamente melancolia é o meu nome do meio... :D
Mas um processo que tenho tentado implementar em mim é o desprendimento mas facil do passado (mas sem o esquecer) e uma maior abertura a novas experiências... isso permite-me viver melhor o presente e encarar outro olhos o futuro.
Tal como tu, não a credito nas pessoas que apregoam a sua felicidade como se nada a podesse abalar... essas devem ter uma necessidade extrema de ocultarem as suas fraquezas, as suas dores... de fazer de conta que elas não existem! Eu prefiro encarar o sofrimento de frente e aprender alguma coisa com ele.

Querida et, não julgo que discordes de mim... eu também acho que andamos sempre atrás de momentos felizes (mas não conseguiremos nunca "ser" felizes)... e o facto de preferirmos esses momentos aos momentos de tristeza só prova que somos inteligentes.
Também acho possível existirem fases de maior contentamento do que outras, mas não uma fase em que somos completamente felizes porque isso, em si mesmo, não faz sentido e não existe! A nossa constante insatisfação não nos deixa margem para utupias! Baseando-me na frase sobejamente conhecida... fiquemos felizes por estar contentes :)

 

At 20 abril, 2006 09:52, Blogger teorias

amm, acreditar na felicidade ao nosso lado, que ela se cruza connosco no nosso dia-a-dia, é uma boa forma de nós nos iludirmos e pensarmos que podemos ficar felizes com o que temos. Assim sou levado a concluir que aquele que é mais feliz é aquele que maior capacidade tem de se auto-enganar. A felicidade torna-se assim numa crença, numa fé... uma verdadeira religião que tem por seguidores quase todos os seres humanos. Cada um que creia no que quiser... já dizia Enrique Rojas que "a felicidade consiste em ter boa saúde e má memória"... Assim, só me resta dizer: esqueçam tudo aquilo em que já não acreditam!

 

At 20 abril, 2006 17:00, Blogger teorias

É claro que que a felicidade não se consubstancia apenas no plano amoroso (e ainda bem)... mas em nenhuma parte do meu texto isso aperece referido dessa forma... Julgo que esta tua interpretação das minhas palavras se deve ao facto de eu ter externalizado o conceito (felicidade) nas minhas palavras, fazendo-a passar ao nosso lado ou cruzar-se connosco. Mas não era essa a mensagem que queria passar.
Mas já agora... ainda não me chegaram notícias de uma felicidade que não seja partilhada... Haja alguém que me explique o conceito da felicidade solitária!!!!
Tu não Narciso... a tua explicação eu dispenso!