24 de fevereiro de 2006
posted by teorias at 09:03
Gosto de conhecer pessoas, de perceber o seu funcionamento, de apreender as suas características. Das que tenho conhecido, quase todas, valorizam a profundidade e repelem a superficialidade nas suas vidas! Entenda-se aqui a profundidade como algo que nos permite um questionamento interno, uma preocupação activa pela vida, uma complexidade emocional... e a superficialidade como o banal, o rotineiro, o material, o fútil e o supérfluo. A vida tem-me permitido conhecer pessoas que se mostraram bastante profundas... que têm a capacidade de viver a complexidade e de fluírem através dela à velocidade de um jacto. Também tive a oportunidade de conhecer pessoas bastante superficiais... em que o material e o quotidiano marca e serve de pano de fundo para as suas vivências. Todos estes contactos têm-me suscitado reflexões... uma das mais importantes prendem-se com a capacidade paradoxal de toda esta situação (quem me conhece sabe que paradoxal é o meu nome do meio!). As pessoas que mais se definem como profundas e me tentam mostrar essa profundidade em diversas situações, têm sido das mais superficiais que tenho conhecido. Ao invés, as que se consideram superficiais têm–se mostrado extremamente profundas... a conclusão pareceu-me lógica... é que a profundidade das pessoas vê-se nas pequenas coisas... vê-se no seu quotidiano... não se vê na artificialidade de uma profundidade escavada no interior da sua personalidade. Algumas pessoas acham-se profundas porque vão ao teatro (e eu não tenho nada contra e até gosto de ir), conhecem as linhas todas do metro de Londres, trabalham 9 horas por dia (e sábados e domingos se for preciso) e vivem uma vida a mil à hora... mas estas eu acho-as superficiais! Acho que as pessoas são profundas se telefonam aos amigos, se se riem dos disparates que dizem, se souberem que elas são mais importantes que o seu trabalho... Todos nós cometemos erros de avaliação, mas devemos aprender com eles a avaliar correctamente o que é superficial daquilo que não o é! Uma vez conheci uma pessoa que me pareceu ser a mais profunda que alguma vez tinha conhecido... também cometo erros (e não são poucos, diga-se) e acabei por perceber que realmente ela era profunda... profundamente superficial!
 



3 Comments:


At 06 março, 2006 17:14, Blogger teorias

Eu cavo, tu cavas, ele cava...
Sei que não é bonito... mas também é profundo!

 

At 17 junho, 2007 19:10, Blogger RC

Toda a gente é superficial. Toda a gente é profunda. Todos pensamos em muita coisa que não dizemos e todos dizemos coisas que nem chegamos a pensar. Somos diferentes uns mostram muito, outros pouco, uns gostam de mostrar o que não são para poderem ter outro tipo de oportunidades, outros preferem não mostrar nada e deixar que os outros descubram... Se quiserem.

Não deves dizer que uma pessoa é ou não superficial. Como ouvi um dia "só conhecemos uma pessoa quando esta morre. Só aí deixará de nos surpreender".

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At 08 janeiro, 2008 21:25, Blogger Rita

A questão é que não é possível ser-se profundo no vazio, daqui que faz sempre falta um referencial, ao qual chamaste de superficialidade (eu alteraria para superfície), caso contrário esse nosso traço fica imperceptível e torna-se meramente conceptual.