
Cervantes teve a “ousadia” de escrever no final do século XVI uma obra que entrou em ruptura com o tipo de literatura praticada na Europa de então. Esta rapidamente se transformou numa referência a nível mundial e ainda hoje é lida e serve de inspiração para muitos. A obra a que me refiro, é claro, só poderia ser “Dom Quixote de la Macha”. O livro narra, como sabem, a história de um fidalgo, Alonso Quijano, que já com uma idade avançada, parte em busca da sua amada Dulcineia, que nunca viu, depois de ter perdido o juízo (ou não…) ao ler demasiados livros de cavalaria. Juntamente com o seu escudeiro, Sancho Pança, e montado no seu Rocinante, Dom Quixote parte em busca do seu sonho. A obra faz o leitor entrar no mundo de fantasia do protagonista... onde o amor... a justiça... e a liberdade são os princípios que norteiam a acção de Dom Quixote. E por eles é capaz de fazer tudo... lutar até ao final das suas forças para dar forma ao mundo que carrega na sua mente... Dom Quixote é visto como um louco... um homem que perdeu a noção da realidade e que persegue uma utopia que jamais conseguirá alcançar... mas não desiste de tentar viver “a vida como ela é”... uma vida em que o sonho, a verdade e a honra... desempenham o papel principal. Dom Quixote passa por várias peripécias até ao seu duelo final na praia de Barcelona... duelo este que perde... e com ele perde também a “sua” Dulcineia... Com esta derrota acha que não está mais à altura da formosura de tal dama... perdeu a honra e com ela a força de lutar pelo seu sonho... resigna-se com a realidade humanamente partilhada e regressa a La Mancha... como Alonso Quijano! “A vida como ela é”... mas, talvez, nem sempre como ela deveria ser... digo eu!