Em primeiro lugar constatar o paradoxo do título... mas é mesmo assim. Depois alertar para não se confundir com egoísmo social, pois não é disso que quero falar. O individualismo está entranhado na nossa sociedade, já esteve menos, é verdade. Já fomos um país de famílias, de comunidades em que havia a necessidade do outro e todos sentiam a vontade de trabalhar para o bem comum de um grupo... e a vida não fazia sentido se assim não fosse. As pessoas viviam à volta da sua família durante uma vida inteira... mantendo a mesma profissão... e quase nada alterando o seu grupo de amigos. Hoje isto é cada vez mais raro... cada indivíduo organiza a sua vida… a partir de si… não porque assim o queira, mas porque assim tem de ser. Já não se vê o papel que se tem no seio do grupo, mas o papel que o grupo pode ter para cada um. Hoje as pessoas mudam de grupo... mudam o conjunto de pessoas que as rodeiam... e se no passado a família, grupo último e mais próximo, quase nada mudava.... actualmente a família sofre mutações rápidas e frequentes. Se tudo muda na nossa vida... e só nós nos mantemos (com toda a certeza) dentro dela... é normal que a organizemos, primeiramente, a partir daquilo que sabemos que se mantém... ou seja, a partir de nós próprios. Podemos (e cada vez mais frequentemente assim é) estar a viver com os pais, no período seguinte com uma madrasta e dois filhos dela... podemos casar e ter filhos... viver e trabalhar no outro lado do mundo... voltar... mudar de profissão... fazer novos amigos... divorciarmo-nos... ter de viver longe dos filhos... viver só durante um longo período... voltar a casar... ter novos filhos. À nossa volta muda o emprego, a família, a vida amorosa... e nós sabemos que, num fim último, apenas podemos contar com nós mesmo!
Realista ou simplesmente provocatório?
Realista ou simplesmente provocatório?

