27 de setembro de 2006
posted by teorias at 09:06

Desde sempre me tenho questionado sobre as razões que levam o ser humano a iludir-se. Cada um de nós já viveu uma ilusão (e a consequente desilusão) não já? Acho realmente inquietante que assumamos para nós mesmos que podemos viver um “conto de fadas”... mesmo sabendo que a realidade é muito diferente! De qualquer forma achamos que cada um deveria procurar viver um... ou por outras palavras... deveria iludir-se! Apresento aqui a ilusão como uma fuga... como uma negação da realidade humanamente partilhada. Uma coisa me parece óbvia... não gostamos da realidade que temos... e, como tal, procuramos viver alternativas frágeis, inconsistentes e precárias de uma realidade internamente construída... com a extrema capacidade de desabar a qualquer instante e nos deixar desalojados de sentido! Mas saber isto pouco interessa... mesmo sabendo-o bem qualquer um de nós prefere viver na ilusão. É que na ilusão nós somos, forçosamente, felizes. Ninguém vive uma ilusão de infelicidade... pelo menos enquanto a ilusão dura (depois de ela terminar a história é outra). Poucos são aqueles que, com as condições reais de vida, têm oportunidade de, na realidade, serem felizes. Os outros, esses, iludem-se para pelo menos, enquanto o fazem, viverem na felicidade...
 
18 de setembro de 2006
posted by teorias at 09:18

Todos nós temos um espaço vital... espaço que consideramos nosso e que não deixamos que ninguém invada. É nesse espaço que nos sentimos seguros... é esse espaço que apenas partilhamos com pessoas que nos merecem confiança! Se por qualquer razão, alguém que desconhecemos nos entra pelo espaço adentro sentimo-nos invadidos... sentimo-nos desconfortáveis! A importância do espaço vital é facilmente reconhecida por todos, mas se todos a reconhecem, porque existem pessoas que o invadem? Experimentem ter alguém desconhecido a falar-vos perto de mais... tão próximo que sentem na face o ar que ele expira... Mas quando falo de espaço vital não falo só do metro e meio de raio à nossa volta, falo também no espaço físico que consideramos como nosso! Aí posso estar a falar da nossa casa (e estou certo que não é qualquer pessoa que convidamos para entrar) ou até mesmo o nosso quarto (e aqui as limitações impostas ao número de pessoas que a ele acede podem ser ainda maiores). Desenvolvemos um sentimento de posse... um sentimento de que não sobrevivemos se não tivermos o nosso espaço... acabamos por nos confundir com ele e ele é uma parte fundamental de nós... tão fundamental que todos procuramos um... a mim apetece-me procurar o meu espaço... e vocês, têm bem definido o vosso?
 
12 de setembro de 2006
posted by teorias at 09:05
Não saber o que se quer parece estar na moda. Não me refiro ao saber o que escolher para o jantar ou sobre comprar esta ou aquela peça de roupa... nada disso. Refiro-me a linhas estruturais da existência de cada um. Refiro-me às opções que cada um faz e que servem de plataforma de desenvolvimento e de construção da vida. Deixar correr parece ser a opção de muitos, confiando, sabe-se lá em quem ou em quê, para tomar as rédeas da sua vida. Afinal de contas abdicam de escolher... porque escolher é uma tarefa difícil... e se alguém faz as tarefas difíceis por nós, porque não deixar que o faça? Pior, em meu entender, são as pessoas que passam a vida a mudar sobre o que querem para a sua vida. Esses parecem saber sempre o que querem... embora ano após ano queiram coisas diferentes com a mesma intensidade e com a certeza de que, a da actualidade, é a certa e a definitiva (pelo menos até à próxima troca). Parecem viver numa situação limite de incerteza (pelo menos aos olhos dos outros) onde as mudanças de opinião, de opção, de sentimento e de atitude são tão comuns como a mudança do óleo do carro (se fazem muitos quilómetros mudam mais rápido... se fazem poucos demoram mais tempo a mudar... mas mais tarde ou mais cedo... mudam).
Se sei o que quero? Não sei responder bem (não existe ninguém que saiba tudo o que quer). Para o fazer tenho de me curvar perante o seguinte paradoxo: Existem algumas coisas sobre as quais eu não consigo decidir se realmente quero. Mas uma coisa eu sei. Sei que o que não quero. E eu não quero mais, perto de mim, pessoas que não sabem o que querem.
 
8 de setembro de 2006
posted by teorias at 09:01
Para fazer esta teoria foi necessária uma boa dose de paciência... e outra boa dose será necessária para quem a ousar ler (pensem nisso antes de continuar). Normalmente somos impacientes... não sabemos esperar! Queremos tudo o que de bom temos direito e tudo para já! Se o podemos ter já para quê esperar outra altura? Normalmente não pensamos que, na tentativa de antecipar, podemos estar por e simplesmente a estragar tudo! Sobretudo quando estamos a falar de pessoas podemos estar a destruir uma ordem “natural” construída em (e na) relação com o outro. Cada pessoa tem o seu ritmo... a sua velocidade... e se, impacientemente, tentamos acelerar... forçar a velocidade do(s) outro(s)... corrermos o risco de, em vez de ter mais tarde, não ter de todo! Perdemos o respeito pelo outro quando o empurramos para a frente... perdemos o respeito por nós próprios quando desrespeitamos o outro naquilo que ele tem de mais seu... o seu ritmo de viver a vida... a forma de nela estar! “A paciência é uma virtude”, mas não de todos... diria que é uma virtude de cada vez menos... como se da capacidade de controlar o tempo, de antecipar os acontecimentos, dependesse a nossa felicidade. Eu também espero... e continuo à espera de muita coisa... não me agrada sequer a espera, nem sei se esta algum dia dará frutos.. mas... paciência!
 
5 de setembro de 2006
posted by teorias at 10:54
Não sei se concordam comigo, mas amuar parece ser uma linguagem emocionalmente rica por si só... capaz de dizer, transmitir e reflectir muita coisa diferente... no fundo, os amuos não são todos iguais! Cada um tem o seu encanto… cada um tem o seu objectivo! Não se pode confundir o amuo em que se cruzam os braços e se franje o sobrolho com o amuo em que se mantém a serenidade e se adiciona o silêncio. Não têm nada a ver! Um amuo pode querer dizer... “não gostei nada do que vi”... ou então pode querer dizer... “não gostei de não ver nada”! Também me parece certo que só se amua com as pessoas que, de certa maneira, se ama... sem amor não faz sentido amuar. Os amuos parecem estar na moda... amua-se porque se pretende quebrar a rotina... amua-se para se poder fazer as pazes... amua-se porque as pessoas se amuam demasiado... amua-se porque ninguém se amua connosco! Confesso que de vez enquando também fico amuado... mas mais frequente é que as pessoas amuem comigo... não sei bem se sou eu que ainda não compreendo bem a linguagem dos amuos... mas a maior parte das vezes não percebo porque é que elas amuam... mas certo, certo é que o fazem... e eu começo a ficar amuado com isso!