
Desde sempre me tenho questionado sobre as razões que levam o ser humano a iludir-se. Cada um de nós já viveu uma ilusão (e a consequente desilusão) não já? Acho realmente inquietante que assumamos para nós mesmos que podemos viver um “conto de fadas”... mesmo sabendo que a realidade é muito diferente! De qualquer forma achamos que cada um deveria procurar viver um... ou por outras palavras... deveria iludir-se! Apresento aqui a ilusão como uma fuga... como uma negação da realidade humanamente partilhada. Uma coisa me parece óbvia... não gostamos da realidade que temos... e, como tal, procuramos viver alternativas frágeis, inconsistentes e precárias de uma realidade internamente construída... com a extrema capacidade de desabar a qualquer instante e nos deixar desalojados de sentido! Mas saber isto pouco interessa... mesmo sabendo-o bem qualquer um de nós prefere viver na ilusão. É que na ilusão nós somos, forçosamente, felizes. Ninguém vive uma ilusão de infelicidade... pelo menos enquanto a ilusão dura (depois de ela terminar a história é outra). Poucos são aqueles que, com as condições reais de vida, têm oportunidade de, na realidade, serem felizes. Os outros, esses, iludem-se para pelo menos, enquanto o fazem, viverem na felicidade...


