12 de setembro de 2006
posted by teorias at 09:05
Não saber o que se quer parece estar na moda. Não me refiro ao saber o que escolher para o jantar ou sobre comprar esta ou aquela peça de roupa... nada disso. Refiro-me a linhas estruturais da existência de cada um. Refiro-me às opções que cada um faz e que servem de plataforma de desenvolvimento e de construção da vida. Deixar correr parece ser a opção de muitos, confiando, sabe-se lá em quem ou em quê, para tomar as rédeas da sua vida. Afinal de contas abdicam de escolher... porque escolher é uma tarefa difícil... e se alguém faz as tarefas difíceis por nós, porque não deixar que o faça? Pior, em meu entender, são as pessoas que passam a vida a mudar sobre o que querem para a sua vida. Esses parecem saber sempre o que querem... embora ano após ano queiram coisas diferentes com a mesma intensidade e com a certeza de que, a da actualidade, é a certa e a definitiva (pelo menos até à próxima troca). Parecem viver numa situação limite de incerteza (pelo menos aos olhos dos outros) onde as mudanças de opinião, de opção, de sentimento e de atitude são tão comuns como a mudança do óleo do carro (se fazem muitos quilómetros mudam mais rápido... se fazem poucos demoram mais tempo a mudar... mas mais tarde ou mais cedo... mudam).
Se sei o que quero? Não sei responder bem (não existe ninguém que saiba tudo o que quer). Para o fazer tenho de me curvar perante o seguinte paradoxo: Existem algumas coisas sobre as quais eu não consigo decidir se realmente quero. Mas uma coisa eu sei. Sei que o que não quero. E eu não quero mais, perto de mim, pessoas que não sabem o que querem.
 



3 Comments:


At 12 setembro, 2006 12:15, Blogger Ponta Solta

A última afirmação é dada muito convictamente e parece-me mt sentida...

Acho que além de não saberem o que querem, há pessoas muito iludidas com muito do que vêem, e que a dada altura deixam de ter os pés na terra e querem agarrar tudo de uma vez, ou fazer tudo de uma vez, sem reparar, que muitas vezes essas coisas todas que decidiram que querem são contrárias, se anulam, de alguma forma, umas às outras. E quem tudo quer tudo perde...

Às vezes é-nos dado o mundo e não sabemos o que fazer com ele. E às vezes fazemos o que podemos com o pequeno mundo que nos foi dado.
A incoerência é mal de muitos. Todos balançamos em dada altura sobre aquilo que desejamos para nós, mas o importante é que, quando decidimos que queremos algo, não podemos esperar atingir essa meta, sem que o esforço e suor sejam nossos, e deixemos andar, deixemos que os outros conquistem por nós, aquilo que desejamos (no caso de quem não sabe o que quer, aquilo que os outros acham melhor, desde que a nós não nos dê muito trabalho).

Sabe tão bem atingir uma meta sabendo que nos esforçamos para atingi-la e que fomos recompensados! Qd há esforço e a meta ficou longe à mesma, isso não é sinónimo de que deixando andar e estando espera dos outros, ela fique mais perto, ou se alcance.

Estar sentado à sombra da bananeira é muito bom, quando se está a gozar umas boas férias em que o tempo está mais ou menos controlado, mas continuar lá sentado depois de acabarem as férias, não quer dizer que a vida a passar por nós vá esperar que nos movamos... para obter aquilo que realmente queremos.

 

At 14 setembro, 2006 19:42, Blogger ruth ministro

Às vezes é dificil sabermos o que queremos. As vontades mudam, tal como nós próprios mudamos, somos seres em constante dinâmica e (re)construção. Daí a tomada de decisão ser um processo tão complicado, ainda que necessário... há um momento em que temos que saber o que queremos e terminar com a indecisão. Se a escolha não for a mais acertada, procuraremos outras soluções... que remédio! :) Beijos

 

At 28 setembro, 2006 18:53, Blogger pasta38

O não-saber é bem mais vasto do que o saber.

Eis a questão: estar ou ser da vida?

"Triste aquele que não muda de ideias, é sinal que não tem ideias para mudar"

Abraço