Não saber o que se quer parece estar na moda. Não me refiro ao saber o que escolher para o jantar ou sobre comprar esta ou aquela peça de roupa... nada disso. Refiro-me a linhas estruturais da existência de cada um. Refiro-me às opções que cada um faz e que servem de plataforma de desenvolvimento e de construção da vida. Deixar correr parece ser a opção de muitos, confiando, sabe-se lá em quem ou em quê, para tomar as rédeas da sua vida. Afinal de contas abdicam de escolher... porque escolher é uma tarefa difícil... e se alguém faz as tarefas difíceis por nós, porque não deixar que o faça? Pior, em meu entender, são as pessoas que passam a vida a mudar sobre o que querem para a sua vida. Esses parecem saber sempre o que querem... embora ano após ano queiram coisas diferentes com a mesma intensidade e com a certeza de que, a da actualidade, é a certa e a definitiva (pelo menos até à próxima troca). Parecem viver numa situação limite de incerteza (pelo menos aos olhos dos outros) onde as mudanças de opinião, de opção, de sentimento e de atitude são tão comuns como a mudança do óleo do carro (se fazem muitos quilómetros mudam mais rápido... se fazem poucos demoram mais tempo a mudar... mas mais tarde ou mais cedo... mudam).
Se sei o que quero? Não sei responder bem (não existe ninguém que saiba tudo o que quer). Para o fazer tenho de me curvar perante o seguinte paradoxo: Existem algumas coisas sobre as quais eu não consigo decidir se realmente quero. Mas uma coisa eu sei. Sei que o que não quero. E eu não quero mais, perto de mim, pessoas que não sabem o que querem.