26 de julho de 2006
posted by teorias at 09:03
Um dia, Henrique Rojas disse que “a felicidade consiste em ter boa saúde e má memória”. Se a afirmação relativa à saúde pode ser consensualmente aceite, o mesmo não acontece com a memória, uma vez que a afirmação acaba por ser bem mais polémica. Temos uma volumosa tendência de olhar para a memória como algo positivo... que nos permite revisitar o passado... revivê-lo e, quiçá, reorganizá-lo na forma de o recordar e de o sentir. Memórias boas que, não raras vezes, nos permitem um deleite único no exercícios de recordar.
Todavia, permitam-me concordar com a afirmação... de olhar para a memória como um mecanismo castrador da felicidade... como um mecanismo que prende e aprisiona e não que liberta... como um fardo, por vezes imenso, que cada um de nós, de forma hercúlea, terá de carregar até ao fim dos seus dias... Como seremos felizes se não esquecermos? Como poderemos evoluir se não esquecermos? Há que libertar espaço... há que libertar energias... há que estar disposto a novos investimentos para esse espaço e para essas energias! Julgo que nos últimos tempos, tal como muita gente, me tenho esquecido de esquecer muita coisa... Espero, e porque gosto de estar feliz (sim, estar e não ser, baseado-me na teoria da felicidade), que ao menos esteja de boa saúde!
 



9 Comments:


At 26 julho, 2006 10:54, Blogger ruth ministro

Eu penso que é precisamente por não esquecermos que evoluímos. É a nossa memória que nos permite aprender com as nossas experiências, mais ou menos positivas, ajudando-nos a ser mais assertivos em experiências futuras. É ela que nos permite criar os laços de que falavas num post anterior (num exemplo caricato, pensemos no filme "A minha namorada tem amnésia", se não me engano no nome) e mantê-los, fortalecê-los. É também ela que nos permite ter uma identidade, ou até uma personalidade, uma vez que os acontecimentos da nossa vida nos marcam na nossa forma de a encarar a ela e a nós próprios. E se pensarmos na evolução da raça humana, também vemos que, não fora a mágica existência na memória, nunca teriamos chegado aos dias de hoje. Aquilo que diferencia o homem de qualquer outra espécie é a sua capacidade de ter passado, presente e futuro... como diria Heidegger "o homem é o ser dos longínquos"...

 

At 26 julho, 2006 12:00, Blogger teorias

Sem querer retirar o mérito à memória... que com certeza o tem na nossa evolução... o que pretendia era mostrar o outro lado! Mostrar que ela também tem aspectos negativos que nos prendem. Nós somos o nosso passado... se por vezes isso é fundamental para a nossa evolução, outras há em que esquecer é a única saída!
Pensa na tua vida e no teu passado... não há nada que não tenhas esquecido? Não há nada que gostasses de esquecer?
Este post é, de um modo provocatório, um elogio ao esquecimento... e um "ataque" a uma memória limitante (não aquela que nos permite saber quem somos).

;) Obrigado por mais este teu contributo

 

At 26 julho, 2006 19:58, Blogger ruth ministro

Eu percebi o teu objectivo com este post ;) e a minha resposta foi tendenciosa (vício de profissão) porque tenho realmente uma enorme admiração pelos mecanismos de memória como objecto de estudo. Mas concordo que, por vezes, a memória é limitativa à própria evolução, quando cria barreiras à acção construtiva, em situações de trauma, por exemplo. Admito que existem coisas que gostariamos de esquecer... e até acho que deviamos ter esse direito: o direito de fazer "delete" às memórias que não queremos guardar :) *

 

At 27 julho, 2006 11:01, Blogger teorias

utzi, eu percebo que percebeste... embora eu discorde quando dizes "até acho que deviamos ter esse direito"... nós temos mesmo esse direito... embora nem sempre essa possibilidade!
A memória como objecto de estudo é interessante, embora eu, dentro da nossa área profissional, prefira outros campos de estudo, sobretudo relacionados com o estudo da família.
O post é sobretudo provocatório de modo a suscitar discussão... como ambos sabemos, só o confronto de perspectivas permite a evolução.
;)

Ficarei a aguardar que não te esqueças de continuar a comentar neste blog ;)

 

At 27 julho, 2006 14:20, Blogger teorias

et... com estes argumentos, como posso eu fazer aqui a defesa da perspectiva contrária?! Não é fácil, mas julgo que o post e os comments anteriores fundamentam bem a minha posição e o propósito deste post...
Mas é claro que não posso deixar de concordar com a tua perspectiva e com os teus argumentos e, mesmo não sendo esse o propósito do post, afirmar aqui que: ainda bem que me lembro de muita coisa ;)

Por vezes também é bom ter memória e, sobretudo, lembrarmo-nos de que a temos...

:D

 

At 28 julho, 2006 19:48, Blogger Viagem ao meu mundo...

Ainda hoje falava de um filme que aborda esta questão na perfeição: O depertar da mente, o filme fda minha vida (como me perguntaram) A questão é: apagando a memória libertar-nos-íamos? E ainda: será que issos eria bom? A verdade é que sim e não :) (digo eu: logo susceptivel de discordarem)

Passo a explicar: se por um lado a memoria nos pode aprisionar e trair (uma vez que, como bem sabemos, não é fidedigna e sim impregnada de emoções e sentimentos), por outro pode conduzir e encaminhar... ate mesmo libertar. Libertar de situaçoes dificeis. Libertar de estereotipos. Libertar de medos.

Resta-nos saber o que fazer com ela...

Gosto muito do que escreves teorias :))) Boas férias!!!

 

At 28 julho, 2006 20:48, Blogger José Leite

A memória e a imaginação são duas irmãs muito íntimas ... mas às vezes conflituam...

 

At 02 agosto, 2006 12:21, Blogger teorias

Concordo plenamente com o que dizes esteleve... Existem os dois lados da moeda, compete-nos a nós escolher aquele que mais se adequa a cada situação com que nos deparamos.

Obrigado pela força e boas férias também.

Rouxinol, obrigado pela visita.

amm, mas quem é que não quer muito ser feliz? Quem? A verdade é que existem pessoas que parecem que não querem mesmo... mas o que parece é tantas vezes diferente daquilo que realmente é...

 

At 08 janeiro, 2008 21:59, Blogger Rita

Às vezes dava tanto jeito ter uma tecla de "delete" para activar e um ícone de reciclagem que pudéssemos esvaziar definitivamente...