3 de julho de 2006
posted by teorias at 09:54
Garcia Sá Couto escreve com a simplicidade de quem vive... De tudo o que leio dele, facilmente encontro textos com os quais me identifico... este representa bem aquilo que considero ser a forma como, agilmente, a vida nos foge por entre as mãos sem conseguirmos perceber sequer porquê...
De certo modo assim me sinto... sem teorias... apenas me apeteceu partilhar!
Porque assim estou?
Porquê? ... Porquê?
Porque sofro e ninguém vê?
Porque não sei sequer quem sou,
Arrastando-me... sim, eu vou,
Mas descrendo para quê...
Porque assim estou?
Porque foste e não voltaste?
Pintamos sonhos no céu,
Disseste que era só teu,
E eu pensei que me amaste.
Porque assim estou?
Porque vivo neste fel?
Será do jogo do anel?
Quiseste e eu joguei
Disse-te o que nunca contei
Mas não quiseste ser fiel
Às rosas... que eu te dei...
Porque assim estou?
Será de ti vida malvada
Que me abandonaste nesta sorte
Vivo tão perto da morte
Que não sinto cada pedrada
Que me faz perder o Norte.
Porque assim estou?
Porque sinto e não respondo?
Porque escrevo e ninguém lê?
Contigo erguia o mundo...
Corria de cima ao fundo
Cidades, portos e cais.
Volta... mais um segundo.
Não voltas mais?
Porquê? ... Porquê?
Pois... a vida não volta mais... por isso te digo que a deves viver com base em duas ideias contraditórias, mas que se complementam num perfeito equilíbrio: lúcida sabedoria e doce loucura :)
Desde cedo percebi que a vida se rege por paradoxos...
Gostei da forma como expressas a receita para lidar equilibradamente com a situação! Tomarei a liberdade de assimilar esta bela frase como um dos meus lemas de vida... :)
Obrigado pela visita
Que amarras amm? A complexidade da comunicação, do relacionamento humano, das vivências interiores tem sido o substrato base da forma como me amarro... e não o contrário! Desprender do que quer que seja nem sempre é a melhor saida... noutras nem sequer é possível! Nesta altura tento amarrar-me ao desprendimento... e não é que ando a conseguir!!!
Lindo este texto... acima de tudo porque nos permite a identificação sem nos sentirmos prsioneiros da mesma...
Um beijo :)
Quando olho para o poema, et, sinto uma certa libertação na escrita... digamos que é como uma contração forte do músculo para o poder relaxar de seguida.
Embora perceba que expressa tristeza por ter perdido sinto, que sobretudo, se alegra por ter tido a possibilidade de ter vivido.
esteleve, obrigado pela visita. Relativamente a Garcia Sá Couto e à sua escrita... eu sinto-me fortemente ligado sem nunca me sentir preso... é uma relação próxima que envolve apreço e admiração pelo seu trabalho!
Aparece mais vezes ;)
Este poema expressa claramente um dos muitos estados de alma que nos trespassam ao longo da vida!! Quem pode dizer que nunca se sentiu abandonado e sem rumo nesta realidade que às vezes parece um deserto árido de esperança... e outras o mais belo oásis de cor!!
fairybondage, a poesia nada mais é do que... estados de alma... palavras vindas do fundo de quem sente... quem sofre... quem vive!
É bom rever-te por cá. Espero que voltes ;)