Tive uma infância feliz... recheada de fantasias... uma das minhas grandes desilusões foi aos 6 anos. A minha mãe, sem grandes rodeios e precavendo-me de que eu já era um homenzinho, disse-me que o Pai Natal não existia (ainda hoje preferia não saber). Aos 11 anos fiquei aterrorizado com a Guerra do Golfo... pensei que o mundo todo poderia entrar novamente em guerra e que poderíamos morrer todos. A minha prima, da minha idade, não via o telejornal e nem sabia que havia guerra... continuou a vida dela feliz e contente... na sua ignorância. Aos 15 anos apaixonei-me loucamente... foi uma bonita história de descoberta emocional até que um dia, levado pela curiosidade, quis saber o que ela realmente sentia por mim... fiz uma pergunta directa e queria saber a resposta... hoje penitencio-me e preferia nunca a ter ouvido! Aos 18 anos queria ser alguém, fazer algo por mim e pela sociedade... por isso procurei um curso que podesse satisfazer essa necessidade. Candidatei-me... entrei... festejei o feito... e entreguei-me de corpo e alma ao curso. Logo no primeiro ano trataram de me fazer saber que o curso não tinha saída profissional e que oferecia desemprego... ainda hoje não sei como “agradecer” a esses tipos por me estragarem os planos.
Hoje sei que não tenho dinheiro para comprar uma casa... sei que Astana é a capital do Cazaquistão (mas nunca lá fui)... sei que tenho de trabalhar 40 anos... sei que posso trabalhar esses 40 anos e no fim não ter direito a reforma... sei que existe um vírus denominado H7N7 que pode ser tão ou mais perigoso que o H5N1... sei que sei muita coisa e que essa coisa toda, normalmente, não me serve de nada! Mas também sei que às vezes é melhor não saber... e não saber também é um direito... embora muitos não saibam disso... e talvez por não o saberem é que conseguem ser felizes sabendo alguma coisa! Este tema é complexo... mas vocês sabem que eu sei que vocês não sabem que eu não sei!

