16 de janeiro de 2006
posted by teorias at 13:40

Dizer que a nossa vida é constituída por fases não é novidade nenhuma... todos nós sabemos que assim é... umas são melhores, outras piores, umas são felizes, outras nem por isso... Elas sucedem-se umas às outras e pouca é a capacidade que temos de controlar a sua sucessão repentina ou a sua capacidade destrutiva. Este “destrutiva” refere-se, sobretudo, à transição inerente à sucessão de fases. Na verdade, quando uma nova fase surge na nossa vida esta implica uma ruptura transcendental com o passado... com a fase anterior... à qual nos tínhamos adaptado... nos tínhamos habituado e moldado. Com tanto esforço de adaptação da nossa parte é normal que desenvolvamos sentimentos positivos relativamente a esta fase que, repentinamente, se quebra, parte, despedaça e tem o desplante de desaparecer da nossa vida sem que possamos, sequer, contestar a sua fuga. E quando ela desaparece só nos resta a corda... a corda que nos amarra a um monte de retalhos... fragmentos... um monte de migalhas que restou daquilo que nos alimentou a vida durante algum tempo... durante uma fase! Todo este material, tantas vezes bem atado pela corda à nossa memória, se arrasta atrás de nós como os estilhaços de uma bomba que, em tempos, explodiu nas nossas mãos. Grande parte das vezes não conseguimos desatar a corda... paradoxalmente, mais vezes ainda, não a queremos desatar... nutrimos a esperança última de que um dia, aquele monte de pedaços velhos ganhe vida própria e, da mesma forma como se desagregaram, tomem a iniciativa de se unir e se transformarem em tiras coerentes e com sentido. Só quando percebemos que a corda não nos une ao passado, mas antes nos prende a ele... que é ela que não nos deixa caminhar em direcção ao futuro, é que ganhamos a capacidade de a desatar. Nessa altura façam-no... sem olhar para trás! É que se olharmos podemos sentir a emoção nostálgica de quem passa o tempo a construir o futuro baseado em episódios do passado... se olharmos corremos o risco de atribuir justificações... de tentar interpretar... de achar que podemos perceber o porquê de um movimento que vemos, sentimos ou imaginamos nesse monte de retalhos. A vontade... o querer torna-se tão grande que perdemos a lucidez de compreender que esse movimento só existe porque somos nós que o provocamos cada vez que tentamos caminhar e temos essa monte de recordações preso a nós pela corda. Mal tenham oportunidade... libertem-se... e agarrem, com toda a força, a fase seguinte... acreditem que vale bem a pena... digo eu, não de experiência de outro que ma contou, mas daquela que eu próprio vivi e que, pasmem-se, confirma a teoria do problema no seu todo e a solução, que aqui aponto, na integra.
 



3 Comments:


At 18 janeiro, 2006 14:16, Blogger teorias

Sim et... a corda é bem lixada... quanto mais se puxa por ela... mais ela nos prende! A dificuldade está apenas em aceitar a situação como ela é e não tanto na compreensão da mesma. Facilmente percebemos como funciona... mas normalmente preferimos não perceber... achar que pode ser diferente... desejar que possa ser diferente... mas não há grande coisa a fazer... como dizes: "Cortemos a corda!!"

 

At 20 outubro, 2006 11:42, Blogger snull

...nem tudo o que nos ata nos pode prender...

 

At 08 janeiro, 2008 21:17, Blogger Rita

A questão é tão simples quanto conseguire e saber diferenciar laços de nós ;)