
Quando era mais miúdo e andava na escola sempre tive a noção de que quem fazia perguntas não tinha percebido nada do assunto. Assim se um colega interrogava o professor sobre a matéria que este se encontrava a expor era sinal de que não tinha percebido a explicação. Todos nós temos enraizada esta noção. Em situações em que os nossos familiares ou amigos não sabem, por exemplo, o caminho para chegar a qualquer lugar ou onde comprar determinado produto dizemos-lhes em uníssono “se não sabes pergunta!”. A lógica é a de que quem pergunta não sabe, quem pergunta ignora o conhecimento. Mas nem sempre é assim. Grande parte das vezes, para se fazer uma pergunta, é necessário ter-se percebido muito... Conseguir formular uma questão implica utilizar, articular e interligar conhecimentos sobre o assunto que se questiona e não a ausência de conhecimento... A ausência de conhecimentos leva-nos a não conseguir fazer qualquer uma destas coisas e, como tal, ficamos calados, pois não sabemos perguntar. Ao contrário do que muitos pensam, quando não perguntamos, em vez de demonstrar que percebemos tudo podemos estar a dar um sinal claro de que não percebemos nada...

