
Não era preciso ser assim
Difícil, penoso e cru.
Mas eu suporto a custo
Todo o corrupio dos dias
Que soltam medos em mim.
Não sei onde estou,
Onde estás tu,
E que fazem minhas mãos vazias.
Não era preciso ser assim,
Mas sei que o gozo de estar vivo
Vai mais além de tudo o que imagino.
As amizades sinceras
Mostram-me a verdade cortante
Do contraste existente
Entre os mundos tão diferentes
De mim e de ti.
Não há lutas nem quimeras,
Nem destreza de assaltante
Capaz de mudar aquilo que não ser quer.
Não era preciso ser assim.
Mas que posso eu fazer
Encurralado no sufoco da impotência
De querer fazer o que não se pode,
O que não se consegue!
Preciso dominar o medo,
Preciso ter paciência,
Confiança em mim.
Mas há tanta coisa que não percebo...
Não era preciso ser assim.
Estas palavras de Garcia Sá Couto descrevem bastante bem o meu estado de espírito nos últimos tempos. Na verdade parecem-me palavras capazes de suscitar alguma capacidade introspectiva a quem quer que as leia. Daí a minha vontade em partilhá-las...
