
A TMN adoptou a assinatura “a vida como ela é” para a sua nova campanha publicitária. Mudou de imagem e adoptou-se a uma nova realidade do mercado. Mas mais do que as estratégias de marketing interessou-me o conceito de mostrar “a vida como ela é”... e a vida são pessoas vulgares, sem as qualidades físicas da Angelina Jolie, a fazerem coisas simples... a jogarem basquete... irem às compras... ou fazerem uma refeição. Coisas tão simples e reais que poderiam estar inseridas no quotidiano de qualquer um de nós. Claro que esta é uma nova forma de fazer publicidade (bem arriscada diria) em que se privilegia o real em vez do imaginário, o fantasioso ou utópico! Quem não acha que se comprar o perfume Polo Black ficará mais atraente? No fundo, lá no inconsciente, achamos que podemos ter o mesmo poder que o protagonista da publicidade e respirar confiança, transpirar beleza e arrebatar mulheres bonitas se tivermos a chance de comprar o dito perfume! Como se a publicidade nos mostrasse um produto com poderes mágicos capaz de mudar a nossa vida... Os iogurtes da Adagio “fazem” de nós as pessoas mais esbeltas do planeta (quando vou ao supermercado só me apetece comprar destes), a Wilkinson 4 põe as mulheres a fazerem festinhas na nossa face e a escolher-nos em detrimento de todos os outros homens, só para dar alguns exemplos. Diria que se trata de escolher entre a fantasia e a realidade e normalmente as empresas escolhem a fantasia, fomentam-na em nós e depois vendem-no-la... mas quando chegamos a casa com o produto constactamos que realmente é fantasia... é irreal... e o nosso sonho mais profundo era da que essa fantasia podesse transformar-se em realidade... mas isso é utópico e, como tal, nunca acontece! A TMN optou por não nos vender um sonho... vende-nos “a vida como ela é”... real... simples... pacata! Feita de pequenas coisas reais que, por isso, têm muito mais valor do que as extravagâncias delirantes da publicidade utópica! É uma vida em que as pessoas não se despedem com olhares flamejantes, nem com suaves movimentos dos corpos esculturais... mas antes com um quotidiano “até já”.

