As crianças nascem todas dependentes dos seus pais, e uma das principais tarefas destes é colmatar todas as suas necessidades. Este pensamento não só me parece verdadeiro como também me parece ser aceite com alguma unanimidade (como se a unanimidade pudesse não ser total). Talvez arrastados por esta filosofia inicial de vida somos compelidos para uma forma de pensamento baseado nas necessidades de cada um. Parece que, a alturas tantas, temos tantas necessidades que nem nós sabemos já quais são. Outras vezes elas servem para desculpabilizar determinado tipo de comportamentos e decisões que tomamos. Senão vejamos: Temos necessidades de consumir desalmadamente... corremos para tudo o que é templo de consumo para, religiosamente, cumprir todo o ritual de aquisição e compra... e no final, a sensação de bem-estar é tal que nos sentimos reconciliados connosco mesmos e com o mundo (e não nos importamos muito com a penitência que pagamos). Para nos sentimos bem temos necessidade de comprar... pelo menos temos esse crença.
Na relação com os outros temos necessidade de comunicar e discutir pormenorizadamente cada detalhe para que não haja espaço para a ambiguidade... é que se não o fizermos surgem problemas...e então comunicamos aniquilando de vez a flor da espontaneidade individual de cada um... mas para nos darmos bem com os outros é suposto termos de comunicar bem e discutir tudo até ao mais ínfimo pormenor... pelo menos temos essa crença. Acreditamos que necessitamos, e quando assim é... necessitamos mesmo! Não pelo facto de existir uma necessidade em si mesma, mas pelo facto de a criarmos através das nossas crenças de que ela existe. Claro está que se acreditamos em coisas que não existem e se andamos por aí a criar coisas (leia-se necessidades) talvez devêssemos consultar um profissional especializado na área da saúde mental... eu, pelo menos, tenho essa crença!