19 de junho de 2006
posted by teorias at 10:53

Não é surpresa para ninguém que a sociedade em que vivemos é egoísta... que fomenta o individualismo... que valoriza o prazer imediato... mas, como me parece lógico, isso tem implicações na vida de cada um. Se por um lado é a sociedade competitiva que fomenta tal postura, por outro, parece ser a desagregação/transformação da família que a alimenta e faz crescer. Deixamos de ter famílias numerosas, onde irmãos, tios, sobrinhos e avós coabitavam ou viviam em espaços próximos para passarmos a ter famílias nucleares cada vez mais reduzidas. Se a primeira catalisava o surgimento de laços e de sentimentos de pertença, a segunda (contextualizada nas mudanças sociais que estão na sua génese) tem originado confusão, alheamento e falsos sentidos de independência! Confusão, na medida em que, ao crescer, são poucas as pessoas que servem de referência (cada vez mais circunscritas aos pais... quando estes estão presentes, claro!). Alheamento na medida em que a falta de sentimentos de pertença acaba por originar uma vida com poucos sentidos e muitas direcções (e quais seguir?). E sentimentos de falsa independência na medida em que não se pode ser independente dos pais ou de uma família à qual, na prática, nunca se pertenceu (no sentido emocional do termo, obviamente). Assim luta-se ou promove-se uma independência que nos leva “orgulhosamente” até à solidão! O mesmo tende a ser feito com todas as outras relações que se estabelecem... é o medo ou o não investimento nos compromissos amorosos... é a sensação de que não se precisa deste ou daquele amigo, sempre que surge um conflito. O afastamento vai surgindo pelas mensagens sms ou pelos mails, utilizados como forma privilegiada em relação ao contacto face-a-face. Hoje vive-se maioritariamente só... numa casa apenas com uma pessoa.... onde se vêm filmes sem companhia... onde se fala com a família pelo telemóvel e com os amigos pela net. Continua-se a apregoar aos sete ventos e a dizer com todo o orgulho “sou completamente independente” ao invés de assumir que se vive uma solidão sem condições... mas que tanto condicionaliza.
 



5 Comments:


At 21 junho, 2006 19:02, Blogger ruth ministro

Concordo contigo. De certa forma a sociedade em que vivemos fomenta essa solidão de que falas. Pelas exigências que nos impõe e pelas exigências que nos auto-impomos por causa dela. Os sentimentos de pertença vão-se perdendo e as redes de apoio são cada vez mais fracas (não conto com a "net", que essa é cada vez mais forte!)... de facto preocupa...

 

At 22 junho, 2006 14:10, Blogger teorias

Obrigado pela visita utzi. O que me preocupa mais é começarmos todos a achar que tudo isto é normal!

 

At 22 junho, 2006 14:13, Blogger teorias

et... não imaginas o quanto me sinto infeliz por seres inadequada...
Espero que valorizes sempre a possibilidade que a vida te deu de seres diferente... ;)

 

At 22 junho, 2006 15:15, Blogger teorias

et... é claro que queria dizer "o quanto me sinto feliz" e não "o quanto me sinto infeliz"... espero profundamente que não tenha sido um acto falhado...
Aqui fica a correcção

 

At 22 junho, 2006 22:36, Blogger xana

:)

apesar de toda(s) a(s) solidão(ões), aqui fica o meu agradecimento pela visita! ;)

:)sorrisos!:)