16 de agosto de 2006
posted by teorias at 12:06
A (in)fidelidade, e a discussão em torno dela, existe desde que existem seres humanos. Sé é certo que em algumas culturas ela não tem grande valor, na cultura ocidental (onde nos incluímos) ela tem um lugar vital. Ma afinal o que significa ser fiel? Significa, no meu entender, em primeiro lugar, a capacidade de respeitar o outro, e em segundo, não colocar nunca em questão a confiança que este tem em nós! A infidelidade sempre existiu, todos o sabemos, mas falamos pouco dela. Continuamos a agir como se ela praticamente não existisse... fosse invulgar... só existisse na casa do lado!
Quase todos procuramos o amor pleno, mas neste, normalmente, a infidelidade não está presente. Na verdade nem poderia... Como pode haver amor pleno com infidelidade? O amor é entrega... e não há entrega sem confiança! Se o amor é confiança... como poderiam coexistir confiança e traição? Hoje ser fiel parece estar fora de moda... quase ninguém o é... uns justificam-se pela incapacidade de o ser... outros pela vontade de experimentar... outros ainda não encontram sequer razão… mas são-no! O que é certo é que a infidelidade corrói a confiança... e fere de morte as relações (isto para nem entrar na área dos casais com filhos)! Valerá a pena correr tal risco? Afinal de contas... a troco de quê?
 



8 Comments:


At 16 agosto, 2006 20:12, Blogger xana

:)

como este é um assunto sério, vou tentar ser séria! assim, a minha posição sobre o assunto tem vários pontos:
1. sei que existe, mas não a compreendo.
2. quando estas coisas acontecem aos outros, arranjamos mil e uma teorias (ups... será palavra admissível por aqui?!?) para condenar ou apoiar a dita infidelidade.
3. quando nos acontece a nós estar na pele do traido - aquele que é o último a saber! - o caso é mais grave: não há explicações e só é permitido matar ou morrer.
4. sei que já disse imenso... mas honestamente, acerca do assunto, não sei o que te diga! ;)

:)sorrisos!:)

 

At 20 agosto, 2006 17:02, Blogger teorias

Xana, o assunto é serio, como quase todos os que aqui abordo. Concordo com os pontos que aqui apresentas. O que mais me entristece é saber que ela existe mesmo. Temos a tendência de começar as coisas a achar que tudo vai correr bem (e ainda bem que assim é), mas não vai! E quando as coisas começam a correr mal, custa-me ver que existem pessoas que nem sequer estão dispostas a lutar (um pouco que seja)... é que lutar custa... o que nos custa dói... e as pessoas não estão para sofrer se, ao invés disso, poderem passar incólumes mesmo tendo de fazer sofrer o outro.
Eu sei o que te diga: é um tema muito, mas muito complexo...

 

At 20 agosto, 2006 17:03, Blogger teorias

et, uma vez mais se torna visível a nossa plataforma de entendimento. Concordo com praticamente tudo e também acho que o diálogo é parte da solução nestas situações. Só o diálogo nos permite ser sinceros... só a sinceridade nos permite respeitar o outro e a nós mesmos. É claro que as paixões existirão, as atracções por outras pessoas também... isso é “natural” (e é mentiroso quem disser que nunca as sentiu).
É triste constatar que as pessoas têm tanto medo de estar sozinhas. Esse medo torna-as egoístas... leva-as a pensar só nelas e não no outro. Nas relações amorosas as coisas não deveriam ser assim... o outro não devia vir depois de mim, mas vem... as relações são tão complexas!
Bjs

 

At 30 agosto, 2006 11:41, Blogger Ponta Solta

Àqueles de que falas que se justificam perante o reconhecimento da sua incapacidade de serem fieis, ficará sempre uma eterna questão a sobrevoar-me os pensamentos: Porque então decidem encetar uma relação "séria" com alguém???

A vontade de experimentar seria uma coisa razoável até de compreender, se não significasse que ao levà-lo avante estarão a pensar em ninguém senão neles próprios, onde fica o companheiro(a) nesta opção? Será descartável perante a tal vontade???

Ora apanhados nas teias de alguém que nos balance o equílibrio da estabilidade que temos, ainda me parece a inclinação mais razoável, mas então para quê o diálogo, a confiança, a abertura e a sinceridade? Onde é que estes ficam?

Disseram-me uma vez que toda a gente trai, e poderia divagar entre ver a traição como a mais pequena das mentirinhas que nada teria a ver propriamente com infidelidade, ou entre aquilo que pensamos e imaginamos secretamente. Nesse ponto eu poderia concordar, e nesse ponto eu diria que estaria a trair com única traição admissível, a única em que estaria a ser verdadeiro comigo e com o outro (pq essa liberdade, a do pensamento, é dos dois e aquela que (até ver) ninguém nos pode tirar).

 

At 31 agosto, 2006 08:57, Blogger teorias

“Porque decidem começar uma relação séria com alguém” perguntas tu, ponta solta. Não sei se é o conceito que tenho do que é uma relação séria que está deturpado ou se é o deles... mas que um está deturpado lá isso está... espero que não seja o meu!

Hoje em dia (já tive a oportunidade de o expressar em posts anteriores) as pessoas vivem mergulhadas num egoísmo exacerbado... onde elas vêm sempre primeiro que os outros... e assim sendo... as relações parecem ser encaradas, por quase todos, como descartáveis... que apenas servem para se fazer um “jeitinho” emocional que satisfaça as necessidades de cada um. A confiança parece ter perdido o valor... o diálogo é evitado... a sinceridade... bem... a maior parte nem sabe o que isso é!

Se trairmos através do pensamento e da imaginação... então também já eu traí!. Mas confundir a traição do pensamento... com a traição dos actos é a mesma coisa que confundir a Estrada da Beira com a beira da estrada! Não tem nada a ver. Ainda bem que ninguém nos consegue tirar a liberdade do pensamento...

Não pretendia responder às questões que levantas... apenas deixar a minha opinião acerca algumas delas. Espero continuar a ver-te por cá...

 

At 31 agosto, 2006 11:11, Blogger Ponta Solta

Teorias,

Acho que entendeste mt bem o que quis dizer com traição pelo pensamento. Não a confundi com a outra. Na minha (in)flexibilidade apenas fiz questão de salientar que para mim, essa é a traição admissivel.

Só somos donos dos nossos próprios conceitos que temos das coisas, mas face ao que vemos em redor, para aqueles que vêem a fidelidade como nós, não há como não pensar que alguma coisa se perdeu e por isso se vê deturpada. (até as manchetes de revistas ditas cor-de-rosa vendem mais qd falam de traições!!! lol)

Saindo um pouco do teoria da (in)fidelidade, e passando para o egoismo de que falas, isso está cada vez mais presente, e um dos exemplos mais flagrantes, é que preferimos comprar os outros com bens materiais do que gastar com eles o nosso tempo e dar-lhes um pouco de nós: analisando o stress em que as pessoas vivem, vemos que preferem dar aos putos que têm em casa um brinquedo caro com que estão entretidos umas boas horas sem chatear ninguém, a ler-lhes histórias, como antigamente, e que tinham um fundo de valores e qq coisa de didático.

A partir do momento em que a sociedade se torna cada vez mais consumista, acabam tb por perder-se os valores e os laços de certa forma. Como dizes, as pessoas, às vezes, vêem-se como bens de consumo emocional e fazem o tal "jeitinho" às suas necessidades.

Mas nem tudo é mau ;-)

 

At 31 agosto, 2006 11:40, Blogger teorias

Ponta solta... percebi perfeitamente a ideia de traição do pensamento.

Infelizmente, e como dizes, muita coisa se perdeu nas pessoas e nas famílias de hoje. Parece que tudo se compra... até os sentimentos dos outros (como se isso fosse possível!).

O "jeitinho" emocional parece ser escolhido pela sua falta de profundidade... quanto menos as pessoas se envolvem menos antevêem que podem sofrer no futuro... protegem-se sem perceberem que a superficialidade emocional os impede de aceder à riqueza do sentir!

Ainda bem que nem tudo é mau... ainda bem que se consegue contrabalançar determinadas tendências... de multiplas formas...

:) Bjs

 

At 19 junho, 2007 12:16, Blogger RC

A troco de mais uma presa. A troco de subir de posto na tal selva de que falas antes.

Triste...


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