24 de agosto de 2006
posted by teorias at 08:59
Arranjei algum tempo para poder escrever alguma coisa. Claro que arranjar tempo é ligeiramente diferente de arranjar sal... o tempo não se encontra nos supermercados, muito menos está hoje nas montras... em saldo. Mesmo não estando lá, muita gente acaba por ter tempo para ir fazer compras. Eu não tenho tempo para nada... julgo até que o deus “kronos” conspira contra mim e desenvolve um plano maquiavélico para que o meu dia não tenha as 24 horas tal como o dia do mais comum dos mortais! Passo a vida atrasado... e isso é um atraso de vida... aquilo que era para ser feito hoje é adiado e aquilo que agora vivo parece ser o que já deveria ter vivido há um par de anos atrás... que se passa com o tempo? Na verdade o tempo já não passa... corre... e corre bem mais do que o Francis Obikuelo... a velocidade é superior àquelas que os radares da BT registam nas nossas estradas quando detectam condutores a cometer infracções muito graves! O tempo e a estrada têm muito em comum... mais do que eu algum dia imaginei. O passar (ou será que, para ser congruente, devo dizer “correr”?) do tempo, tal como a rede de estradas, mostra-nos muitas direcções... mas poucos sentidos...
:) Toda esta tua teoria do tempo, e dos planos maquiavélicos do mesmo, me fez de imediato pensar naquela música de Jorge Palma: "o tempo não sabe nada, o tempo não tem razão/ o tempo nunca existiu, o tempo é nossa invenção/ se abandonarmos as horas não nos sentimos sós/ meu amor, o tempo somos nós".
:)Sorrisos a triplicar: porque é costume, porque vou de férias, e porque reparei que já há um link para a mais humilde sala da blogosfera. A dita sala agradece e acrescenta que se sente muito honrada!:)
A letra é, realmente, muito bonita. Enquadra-se perfeitamente naquilo que pretendo transmitir...
"A sala mais humilde da blogosfera" já merecia a retibuição da gentileza.
Férias!! Sorte a tua xana... eu não tenho tempo para isso... espero que te divirtas e que continues a distribuir sorrisos.
Boas férias!
Sim et, o tempo voa... e a uma velocidade estonteante... continuo a achar que a culpa é do deus Kronos... mas como não sou de intrigas... não vou insistir no assunto!
Não era para rir et, na verdade não tenho tempo para férias... já tive... agora não tenho!
Para rir parece ser a tua afirmação "já tenho 24 anos" :D Deve ser para fazer inveja... mas tá bem... também já os tive um dia.
p.s. gostei da confissão da menina mimada...
Gostei muito deste post... talvez porque estou a viver uma fase de reflexão pessoal acerca do tempo... do que passou e do que há de vir. Tens razão quando dizes que o tempo nunca é suficiente. Mas por outro lado, mais houvesse, mais compromissos teríamos para o ocupar e mais depressa chegaríamos à conclusão que ainda tinhamos menos tempo para as coisas boas da vida... prefiro manter a carga horária vigente :) Beijos
"mudam-se om tempos, mudam-se as vontades"... e com ele mudam-se também as verdades... O que hoje é importante, apanhã perde valor, o que não o tem conquista-o de forma arrebatadora!
O tempo é inesgotávelmente curto... pouco... rápido!
p.s. Bem-vinda de volta
"Não sei o que é o tempo. Não sei qual a verdadeira medida que ele tem, se tem alguma. A do relógio sei que é falsa: divide o tempo espacialmente, por fora. A das emoções sei também que é falsa: divide, não o tempo, mas a
sensação dele. A dos sonhos é errada; neles roçamos o tempo, uma vez prolongada- mente, outra vez depressa, e o que vivemos é apressado ou lento conforme qualquer coisa do decorrer cuja natureza ignoro.
Julgo, às vezes, que tudo é falso, e que o tempo não é mais do que uma
moldura para enquadrar o que lhe é estranho. (...) Penso se um homem que medita devagar dentro de um
carro que segue depressa está indo depressa ou devagar. Penso se serão iguais as velocidades idênticas com que caem no mar o suicida e o que se desequilibrou na esplanada. Penso se são realmente sincrónicos os movimentos, que ocupam o
mesmo tempo, em os quais fumo um cigarro, escrevo este trecho e pensoobscuramente.(...)
Quecoisa, porém, é esta que nos mede sem medida e nos mata sem ser? E é nestes momentos, em que nem sei se o tempo existe, que o sinto como uma pessoa, e
tenho vontade de dormir." Livro do Desassossego - Bernardo Soares
:)