27 de novembro de 2006
posted by teorias at 09:07
“Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades”... todos sabemos que tudo muda! A certeza da mudança parece ser das pouca que nós aceitamos como sendo verdadeira. Se por um lado, quando a conjuntura não nos agrada, perceber que a mudança é mais ou menos expectável é um factor de esperança, por outro, quando vivemos perfeitamente sintonizados com as circunstâncias perceber que a mudança é inevitável é, no mínimo, assustador...
Considero-me um nostálgico... mas, por coincidência, ou não, um nostálgico paradoxal. Sinto saudade do passado, desse mesmo passado do qual sinto vontade de me afastar! Sinto a falta do que ele me deu, mas em simultâneo, sei que não mais dará e que o melhor é ficar longe dele, pois a proximidade ofusca o pensamento daquele que se vê envolvido. Sinto a falta de um passado que me agarrou a mão para me ensinar a dançar sem eu nunca o ter querido... um passado que sem eu querer mudou, trocou de par e dançou! Um passado que não existe mais... a não ser na memória daquele que o recorda! Hoje, também eu mudei... e sinto, sobretudo, nostalgia do futuro... desse mesmo futuro, que me afastará mais do passado, mas que, em si, também não existe... a não ser na cabeça de quem o espera! Sinto nostalgia de ser criança e de não ter nostalgia nenhuma, pois uma criança não tem noção do passado nem do futuro e deles não pode ser nostálgica. Mas mudei... eu sei... e se em criança o meu sonho era ser adulto, hoje, paradoxalmente ou não, dava tudo para voltar a ser criança.
PS. Posso já não ser uma criança, mas de vez enquando dou aso à criança que em mim habita e permito-lhe que faça todo um belo conjunto de infantilidades.
PS.2 Não, isso não. Nunca me atirei para o chão a fazer birras nas lojas... pelo menos por enquanto!
Eu tenho quase a certeza que já discursei, como comentário a uma das tuas teorias, sobre a questão do passado, presente e futuro. Por essa razão, não vou repetir-me. Prefiro apenas deixar a nota de que adorei a tua teoria e mais ainda saber que guardas essa ânsia pelo grito da criança que brinca às escondidas no teu coração... Beijos grandes
Se não fosse nostalgia paradoxal eu admirava-me lol
Eu tb tenho uma grande nostalgia das coisas que já se passaram, e aquelas coisas que mudaram quando eu estava em perfeita sintonia com as ditas, assustaram deveras. Qd estamos "bem" não queremos mudar, mas até qd estamos bem as coisas mudam. E parece que estás a ler-me o pensamento qd dizes que a proximidade desse passado ofusca o pensamento, mas parece por vezes que não conseguimos evitar...
Ser criança, que saudades, escondemos mts vezes a criança que há em nós quando estamos sobre a pressão de termos de ser adultos em determinadas situações. E ela lá fica enclausurada e dá lugar à nostalgia...
Bjs
Mudar, crescer, viver...
Acredito que o passado só exista na nossa memória e o futuro nunca chegue a existir, porque quando o vivemos torna-se presente!!! Assim concordo com a Et e temos é que viver o presente intensamente!!!
Concordo contigo, teorias e com as os três comentários acima, todos excelentes!!!
Obrigado por partilhares as tuas teorias, elas têm o condão de me fazer pensar, reajir, sentir para escrever e assim da crise... crescer!!
Bjs com pó estelar...
"saudade até que é bom, melhor que caminhar sozinho."
não sou eu que o digo, é o Caetano que o canta.
agora, que mais uma partida se aproxima na minha vida, sinto muito intensamente essa noltalgia paradoxal que tentas descrever. quero partir, porque do outro lado esperam-me partes de mim. mas sei que deixo outras partes por aí. vou deixando pedacinhos de mim espalhados pela vida. todos eles doem. mas eu sei que todos eles valem a pena. em nome da dança...
Obrigado pelo comentário utzi... no fundo, quem não gosta de brincar às escondidas!? Por vezes acho que todos o fazemos!
Aprecio os teus comentários e não digo que acho que temos alguma coisa em comum... porque na verdade eu sei que temos ;)
et, como bem sabes, "paradoxal" é o meu nome do meio! Não sei ver as coisas de forma diferente...
Obrigado por todas as brincadeiras em que, alegregremente, nos divertimos
ponta solta, como eu tenho saudades de ser criança... às vezes tenho de me "fingir" adulto vezes de mais. Diria que temos algumas coisas em que partilhamos uma perspectiva comum. Parte delas eu já conheço, as outras ainda vamos ter oportunidade de as partlhar.
fairybondage, o presente é o que realmente nos resta. Há que o aceitar e que o viver... intensamente ;)
Obrigado pelos elogios!
Catarina, paradoxalmente partes deixando para trás partes de ti que não partem contigo!
Nesse aspecto sinto alguma empatia, quer por ter partido e ter deixado partes em "lugares" onde não mais voltei, quer por terem partido deixando-me partes de quem não mais voltou... Mas a vida é feita disso mesmo... de partidas... e de regressos... e eu espero que regresses cá para deixares os teus comentários.
bjs para todas e voltem sempre