18 de outubro de 2006
posted by teorias at 09:20
A infidelidade é tão antiga quanto a humanidade... desde sempre existiu como sempre existiram os dois lados possíveis: o que é infiel por um lado, e o que é traído, por outro. Quando numa relação nos confrontamos com a situação real de um(a) parceiro(a) que diz que existe outra pessoa que passou a ser mais importante que nós, o que mais nos magoa não é a perda do(a) palerma que nos acaba de fazer tal revelação... nem tão pouco é a perda de todo um projecto comum idealizado e co-construido ao longo do tempo. O que mais fere o ser humano é a constatação de que está a ser trocado por outra pessoa... é o sentimento que fica de não ter sido suficientemente bom... de já não ser completamente insubstituíveis para uma pessoa que, até àquele instante, fazia crer que assim era. Esta ferida não se cura com água oxigenada! A auto-estima sofre uma estocada de morte que deixa estendidos na arena a quase totalidade daqueles que, sem a terem escolhido, se vêm obrigados a passar por tal e penosa experiência! O sofrimento vem de seguida... a raiva e o ódio são os que normalmente o acompanham... e se não o acompanham deveriam acompanhar. Tal como diz Eduardo Sá “o ódio é o melhor tira-nódoas do sofrimento”. Depois vem todo um processo que pode ser mais ou menos prolongado de uma reconstrução individual bem longe do(a) imbecil(a) que um dia ousou ludibriar-nos...
O que se perde numa situação deste tipo não é a pessoa que, independentemente da situação, se continua a amar (não se matam sentimentos em dois dias), mas antes toda uma estrutura interna em que no nosso imaginário pessoal existimos porque somos a razão de existência de alguém. Quando se constata que assim não é dá-se a derrocada interna (e para que esta suceda bastam alguns segundos!) que um dia, quase todos, acabam por agradecer que tenha acontecido...
 



3 Comments:


At 18 outubro, 2006 10:42, Blogger Ponta Solta

Sempre achei que neste contexto, especialmente, devia-se sempre ter a noção de que ninguém é insubstituível. Quando damos o melhor de nós e temos consciência disso, não há martírio próprio que vá explicar a dita infedelidade. Não quero com isto dizer que se encare a traição como uma coisa que se aceita de ânimo leve, que não se questiona. Vão haver sempre questões, se se mereceu a dita, por exemplo (acho que nunca se merece, por mais mau que se seja, quem não está bem esclarece isso com o outro, demonstra - se não há melhorias, por mais que isso seja dificil de aceitar, muda-se!).

Dizer que se está preparado para a eventualidade de ficar sózinho é um pouco "falar da boca pra fora". Quem está com alguém porque gosta, porque ama, encara essa possibilidade, mas nunca está preparado, especialmente, para uma traição, quando está empenhado na relação. E é inevitável, dentro deste casos, que as estruturas internas, de que o traidor fará parte, não tremeliquem e não fiquem abaladas.

Quando as coisas são feitas aberta e sinceramente,qd se assume que há 1 terceira pessoa a povoar o imaginário do outro, antes que o pior venha a acontecer, dói menos, e o conceito de lealdade permanece imutável. Não se pode "cuspir para o ar", mas tem-se concerteza princípios que só não são mais fortes que uma traição, se aquele que trai, efectivamente, os ignorar.

 

At 20 outubro, 2006 15:54, Blogger ruth ministro

A traição abala todo o universo íntimo da relação. E quando se fala de intimidade, fala-se imediatamente de cumplicidade, de confiança e de respeito. Esta componente é fortemente afectada, podendo sofrer duas consequências, perder-se ou ficar reforçada, dependendo das causas da traição, da forma como é encarada por quem traíu e da capacidade da pessoa traída de perdoar a traição. Uma traição não implica forçosamente o fim da relação, ao contrário do que se possa pensar, ainda que isso aconteca muitas vezes. Quando o casal tem feridas abertas, pode tentar curá-las em conjunto ou não, tendo por base que apenas conseguirá curar essas feridas com o amor que sente e com o perdão.

Quanto ao ódio, penso que é uma emoção tão forte quanto a paixão, portanto não me parece uma solução construtiva para realizar o luto da relação. No fundo acaba por manter a "chama" acesa... e todos sabemos que isso pode levar a um incêndio mais cedo ou mais tarde... :)

Beijinhos e bom fim de semana

 

At 22 junho, 2007 16:07, Blogger RC

Acho que tens razão. Não que alguma vez o tenha sentido dessa forma, talvez por na altura estar demasiado chateada para pensar nisso, mas porque após uma traição (seja ela de que tipo for) acabamos por ganhar medos e mudar alguma coisa, fechamos algumas portas para que não nos façam o mesmo no futuro.
Gosto do post!