A infidelidade é tão antiga quanto a humanidade... desde sempre existiu como sempre existiram os dois lados possíveis: o que é infiel por um lado, e o que é traído, por outro. Quando numa relação nos confrontamos com a situação real de um(a) parceiro(a) que diz que existe outra pessoa que passou a ser mais importante que nós, o que mais nos magoa não é a perda do(a) palerma que nos acaba de fazer tal revelação... nem tão pouco é a perda de todo um projecto comum idealizado e co-construido ao longo do tempo. O que mais fere o ser humano é a constatação de que está a ser trocado por outra pessoa... é o sentimento que fica de não ter sido suficientemente bom... de já não ser completamente insubstituíveis para uma pessoa que, até àquele instante, fazia crer que assim era. Esta ferida não se cura com água oxigenada! A auto-estima sofre uma estocada de morte que deixa estendidos na arena a quase totalidade daqueles que, sem a terem escolhido, se vêm obrigados a passar por tal e penosa experiência! O sofrimento vem de seguida... a raiva e o ódio são os que normalmente o acompanham... e se não o acompanham deveriam acompanhar. Tal como diz Eduardo Sá “o ódio é o melhor tira-nódoas do sofrimento”. Depois vem todo um processo que pode ser mais ou menos prolongado de uma reconstrução individual bem longe do(a) imbecil(a) que um dia ousou ludibriar-nos...O que se perde numa situação deste tipo não é a pessoa que, independentemente da situação, se continua a amar (não se matam sentimentos em dois dias), mas antes toda uma estrutura interna em que no nosso imaginário pessoal existimos porque somos a razão de existência de alguém. Quando se constata que assim não é dá-se a derrocada interna (e para que esta suceda bastam alguns segundos!) que um dia, quase todos, acabam por agradecer que tenha acontecido...

