Não gosto nada de mentir… na verdade, quase ninguém gosta…mas cada um mente como pode... e todos mentem! Quem nunca mentiu que atire a primeira pedra. A mentira faz parte do jogo relacional das pessoas... todas elas mentem e, por paradoxal que pareça, não raras vezes, mentem a elas próprias. A mentira e a verdade parecem ser os opostos finais de um contínuum onde toda e qualquer afirmação nunca é uma verdade absoluta nem uma mentira total. É claro que, nas relações entre as pessoas, existem umas mentiras mais mentirosas do que outras…não o nego… mas toda a mentira também tem a sua parte de verdade (a não ser que falemos de uma mentira completamente absurda). A mentira parece ser um comportamento, muitas vezes, mais defensivo, do que propriamente um comportamento que nos traga gozo ou prazer com o mentir. Mentimos porque queremos manter tudo como está ou porque achamos que a mudança pode ser benéfica. Mentimos porque achamos que isso permitirá o surgimento, ou manutenção, de algo melhor se o outro não souber aquilo que nós mesmos sabemos. Parte-se aqui do pressuposto de que a ignorância do outro poderá permitir a nossa, ou a sua, felicidade e que o saber, em si mesmo, poderá arruinar isso tudo. Desde que as pessoas comunicam e se relacionam que existem mentiras… cabe a cada um que as vivência julgar aquele que lha transmite na sua intencionalidade sendo capaz de, em simultâneo, balançar todo este processo com o seu próprio historial de mentiras. Aquele que me disser que nunca mentiu… começa, desde já, por me dar razão… dizendo-me essa mentira!